Apesar
da enorme apreciação que o público vem dando a produções de temas ligados
a Ficção científica, pouco
mudou sobre a qualidade de crítica a essas produções. De forma geral
a Ficção científica foi
o gênero que melhor representou os últimos 60 anos de história. Se o
século XIX inventou o amor romanceado, a Ficção científica re-inventou o nosso
contato com o Estranho – weird/supernatural.
Em Guerra dos Mundos (2005 –
imagem acima), adaptação de A
Guerra dos Mundo de de H. G. Wells, podemos ampliar e
percebe a relação – óbvia e passiva ao expectador mesmo tempo – sobre os
contornos que cada povo faz com a Ficção científica.
A
Ficção científica americana é antes de tudo uma representação do modo de vida
americano e o medo – horror seria
a melhor palavra – para com o desconhecido. As referencias históricas são
abundantes em diversas obras, podemos ler contos e livros da década de 20
onde seres de origem estranha ao nosso mundo – o mundo do homem branco e
protestante – são representados com fisionomia, indumentaria e sotaque dos
imigrantes, ou assistir Interstellar e
não perceber as referências com a conquista do o oeste e sobre
as estranhas tempestades de areia dos anos 20 e 30 nos Estados Unidos que
foram um pesadelo para os fazendeiros do Sul e do Oeste.
Voltemos a Guerra dos Mundos. Apesar
do primeiro momento do filme concentra-se na vida urbana que o herói do filme
tem, logo o espectador é lançado para a tipica paisagem interiorana americana, a
vida rural é densamente representada por um interiorano – uma espécie de redneck, que vive no norte – afetado
psicologicamente pelo ataque dos trípodes e onde ele vai coloca em risco a vida
do herói e da sua filha. A passagem por uma ponte acima do rio Hudson
(imagem acima), é a mais considerável menção a essa nacionalidade do que
é ser americano no
filme. Na história da independência americana, o rio Hudson tem especial
menção. Por lá em 1776 atravessou em fuga o exército do general George
Washington, para reagrupar-se e contra atacar os ingleses e mercenários que
viam em seu encalço. No filme percebemos a simbologia semelhante, a partir
dessa travessia vemos os Estados Unidos contra atacando os invasores
seguidamente para só no fim conseguir a vitória, o filme termina exatamente em
uma vitória sobre os trípodes na simbólica cidade de Boston, que em idos
de 1775 e 1776 os laços entre americanos e ingleses foram definitivamente
rompidos.
No
livro A guerra dos
mundos, publicada nos anos finais da esplendorosa “Era
Vitoriana” o debate é semelhante. Não temos o mundo campesino americano, mas
sim os mares costeiros da Inglaterra, onde a orgulhosa Marinha Real – a maior
do mundo naquele período – luta contra os invasores marcianos, da mesma
forma que não temos o vale do rio Hudson, mas o rio Tâmisa cortando Londres,
que é de igual maneira atacadas pelos trípodes. Bom, mas isso é assunto para
outro dia.
O
apelo a defesa do mundo rural é um fetiche americano, no filme O Patriota (2000),
Mel Gibson interpretando um fazendeiro sulista, fala que a guerra pela
independência não se dará em cidades, mas nos campos e dentro das casas. Mas
isso também pode ser ampliado, não é só as imagens românticas do campo que
norteiam a Ficção científica americana.
As pequenas cidades, comunidades, guetos religiosos são um pilar da
narrativa americana. Quem melhor esmiuçou isso de forma visual foi a série
Arquivo-X.
Arquivo-X
relembrou e estereotipou uma das bases mais clássicas do mundo
americano, a vida no ambiente mistico e religioso, profundo – deep -, violento e
desconfiado com tudo que lhe é estranho ao modo de vida do Homos Americanos.

